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Teresina, PI
Domingo, 21
Janeiro de 2018

06/01/2018 - 17h57min

Insulina contra o Alzheimer

Há cerca de 46 milhões de pessoas com Alzheimer. Em 2050, segundo a Organização Mundial de Saúde, serão 131 milhões. Caracterizada pela perda progressiva da memória, a doença representa uma bomba-relógio contra a qual a medicina ainda não encontrou um método de desarme. Na semana passada, uma notícia vinda da Universidade de Lancaster, na Inglaterra, trouxe otimismo em relação ao benefício de uma estratégia a princípio inusitada: o uso de um remédio contra a diabetes. O liraglutide, integrante de uma nova classe de anti-diabéticos, protegeu o cérebro da degeneração típica da doença. “Finalmente encontramos algo que realmente funciona”, disse à ISTOÉ Christian Holscher, coordenador do trabalho.

A pesquisa usou cobaias. Ao final, os animais tratados com o liraglutide apresentaram, por um lado, níveis elevados de substâncias protetoras dos neurônios. Por outro, redução da inflamação e da quantidade das placas amilóides (acúmulo de proteínas sobre as células 

O que mais entusiasma em relação ao achado de Christian é que ele confirma patologicamente evidências clínicas de eficácia obtidas anteriormente. Há em andamento pelo menos quatro estudos em humanos sobre o impacto de drogas da classe do liraglutide em pacientes com Alzheimer. Todos demonstram bons resultados. Faltava, no entanto, um exame detalhado, em laboratório, das mudanças provocadas nos neurônios pelas drogas. A análise das células nervosas extraídas das cobaias possibilitou que os cientistas enxergassem as alterações com clareza.


Os benefícios se devem a uma razão. As drogas estabilizam a taxa de insulina, hormônio que abre a porta das células para a entrada da glicose presente no sangue ­— o açúcar é o combustível para que elas funcionem. Nos diabéticos, a insulina não é fabricada ou atua de maneira precária. No cérebro de pessoas com Alzheimer, mesmo os não diabéticos, ela também tem sua ação prejudicada. Para agravar o problema, além de ficarem sem glicose suficiente, os neurônios são privados de uma substância importante para seu crescimento, já que o hormônio também desempenha essa função. “Sem insulina, as células nervosas começam a falhar”, diz Holscher. “Ficam mais vulneráveis e cedo ou tarde morrerão.”

POR QUE A DROGA FUNCIONA

DIABETES

• O liraglutide integra classe recente de remédios que mantém estável o nível de insulina

• O hormônio é responsável por permitir a entrada, nas células, da glicose em circulação no sangue. Sem ela, as células não têm combustível para funcionar

• Nos diabéticos, o hormônio ou não é produzido ou não atua da maneira adequada
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