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Teresina, PI
Terça, 16
Outubro de 2018

06/01/2018 - 18h25min

Não há remendo que resolva

O capitão Lenarte Azevedo, de 31 anos, deixou uma sala de reunião em Natal na quarta-feira, dia 3, econômico nas palavras e de cara fechada. A greve da categoria na capital do Rio Grande do Norte chegara ao 16o dia e Lenarte ainda não tinha uma boa notícia para os quase 60 homens que comanda no 5o Batalhão da Polícia Militar potiguar. A quebradeira nas finanças estaduais estava evidente nas instalações do batalhão, todo mobiliado com doações, e até mesmo na indumentária do capitão. Lenarte vestia quase R$ 1.000 em uniforme: porta-­carregador (R$ 100), cinto de calça (R$ 100), coturno e meia (R$ 160), capa de colete (R$ 350), coldre (R$ 200) – tudo comprado por ele quando ainda tinha salário. Sem receber desde novembro, há dois meses Lenarte não honra o pagamento de suas contas. Os filhos, uma menina de 6 anos e os gêmeos de 4, só continuam matriculados na escola particular onde estudam graças a um empréstimo do ex-­cunhado. O plano de saúde da família ainda não foi bloqueado por pura sorte. Lenarte ganhou um tablet num sorteio, vendeu o equipamento para quitar uma das três parcelas em atraso e liberou o convênio só para emergências. Seu sonho de infância – ser um bravo policial como os dos filmes de ação a que assistia quando menino – acabou frustrado. “É vergonhoso para mim, policial por vocação desde os 19 anos, ter dificuldade para sustentar meus filhos”, diz ele, que abandonou duas faculdades recém-começadas para seguir a carreira de tira. “Tem dia que não tem dinheiro nem para fazer feira.”

Capa home edição 1019 (Foto: Josemar Gonçalves/ÉPOCA)
Capa home edição 1019 (Foto: Josemar Gonçalves/ÉPOCA)
A greve ilegal das polícias Civil e Militar no Rio Grande do Norte, iniciada no dia 19 de dezembro, converteu as vibrantes cidades praianas potiguares, em geral apinhadas de turistas em suas orlas, em cenários distópicos. Com quase todos os 9 mil policiais aquartelados nos batalhões, a população se enclausurou e os criminosos se sentiram livres para agir com violência. O vaivém de buggies nas ladeiras da capital arrefeceu, e os hotéis custaram a encher numa época do ano em que as vagas costumam ser disputadas. Dias antes do Natal, lojas fecharam diante do temor dos boatos de arrastões, que se espalhavam com velocidade. Tentativas de explosão de bancos para roubo interromperam os serviços de caixas eletrônicos. Num único dia, no auge da crise na segurança, Natal registrou 17 homicídios, além de inúmeros roubos e furtos.

Numa gambiarra institucional, o ministro da defesa, Raul Jungmann, anunciou, em 29 de dezembro, o envio de 2.800 homens do Exército, Aeronáutica e Marinha para retomar o patrulhamento das ruas. “Em solidariedade aos militares”, em suas palavras, Jungmann desembarcou em Natal e permaneceu ali durante o Réveillon. Pouco menos de um ano antes, havia feito a mesma viagem para conter outra crise no estado. Em janeiro de 2017, uma operação semelhante das Forças Armadas foi convocada para conter o pânico depois de uma rebelião na penitenciária de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal. Uma briga entre facções rivais motivou uma carnificina, que deixou 26 mortos. A cabeça de muitos deles foi decepada, em cenas de horror repetidas na última semana em Goiás.
Revista época  


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