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Teresina, PI
Terça, 20
Novembro de 2018

11/02/2018 - 12h28min

As drag queens cantoras que são as novas divas do Carnaval

A funkeira Ludmilla leva um susto e dispara. “É tu? Caraca!”, diz, ao deparar, na noite da segunda-feira, dia 5, nos bastidores da gravação do programa TVZ, do canal Multishow, com a cantora Gloria Groove. Na tela do programa, que intercala clipes e comentários de convidados, temos o lançamento “mundial” de “Bumbum de ouro”, de Gloria. Numa produção acurada, ela requebra em meio a um cenário saturado de amarelo radiante, no embalo de versos como Ó o tamanho desse rabo/De ouro é banhado/Popô que é lendário/É o famoso El Dorado. Ludmilla, que fez uma breve aparição no programa, espantou-se ao contemplar a versão desmontada de Gloria que surge no clipe interagindo com a versão drag de si mesma. Desprovida de peruca, maquiagem, colante e botas, ela volta a ser Daniel Garcia, seu nome de batismo. Gloria Groove, Lia Clark (na certidão, Rhael Lima de Oliveira) e Aretuza Lovi (Bruno Nascimento) foram as convidadas da atração, que comprovou o sucesso desse trio de drags no universo pop. Durante toda a transmissão, foi de ponta a ponta o assunto mais comentado no Twitter no país. No mundo, chegou a quinto na lista de trending topics. “Bumbum de ouro” ficou por mais de 24 horas no topo da lista dos clipes mais vistos do YouTube no país e ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações.

Capa revista Época Edição 1024 (Foto: Época)
Capa revista Época Edição 1024 (Foto: Época)
Situado na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o estúdio, com cerca de 10 metros quadrados, parece ainda menor ao receber as três, que fazem o tipão espalhafatoso. Por falta de espaço, no recinto há apenas uma peruca preta e um estojo de maquiagem, pouco material para a exuberância visual exibida pelas convidadas, que preferiram se produzir em casa. São tantos acessórios coruscantes e cosméticos aplicados que essa operação pode levar até quatro horas. Nada que lhes seja estranho, ainda mais agora. Com o Carnaval, a agenda de shows fica frenética. Gloria ostenta descomunais brincos dourados com a letra G. Eles são providenciais, junto com a cabeleira cacheada, para disfarçar quando o ponto eletrônico desprende de seu ouvido. Aretuza tem dificuldade para assinar a autorização de uso da imagem. “A letra ficou horrível. Com essas unhas, não dá”, justifica. Mal o diretor do programa anuncia o intervalo, elas correm para o celular, ansiosas em ter uma ideia da repercussão. “Meu celular está explodindo”, constata Gloria, ao deparar com 87 mensagens enviadas para seu WhatsApp em apenas um bloco do programa.

>> “Não vejo como uma marolinha”, diz Pabllo Vittar sobre a ascensão de drag queens na música

Gloria, Lia e Aretuza cantam e coreografam todas as músicas executadas: não só as próprias, bem como as de Rihanna, Mariah Carey, Ariana Grande e demais divas do pop. Só vão se sentar para descansar após quase duas horas de gravação. Às vezes, a empolgação em excesso traz riscos. Ao chutar o ar num passo do cancã, Aretuza temeu que certa parte de sua “intimidade” escapulisse para fora. Menos mal que tudo ficou no lugar. Seja no ar, seja nos intervalos, Gloria, Lia e Aretuza denotam todo o seu entrosamento, que vem de outros carnavais. Elas divertem e se divertem. “Lia, você é muito requisitada para ser pau de sebo em festa junina?”, provoca Aretuza, caçoando da estatura da amiga que, mesmo com salto baixo, beira os 2 metros.

 

A presença de três drag queens num programa de televisão ao vivo, com o lançamento do clipe de uma delas, ares de superprodução e ampla repercussão nas redes sociais só foi possível graças ao sucesso astronômico de outra de suas colegas. Pabllo Vittar (registrada, ao nascer, como Phabullo Rodrigues da Silva) estourou, no ano passado, nas paradas musicais com os versos da canção “Todo dia”, uma exaltação à “vadiagem”. Pabllo alcançou o topo das listas de hits nacionais e internacionais dos aplicativos de streaming e amealhou mais de 7 milhões de seguidores no Facebook, Instagram e Twitter – mais que o dobro de RuPaul, drag queen americana, a mais famosa e influente do mundo. O Carnaval de 2018 representa uma espécie de consagração do reinado de Pabllo – e há um séquito de drags que seguem seus passos.

Mais uma confirmação do estrelato da cantora veio no dia 1o de fevereiro, no Baile da Vogue, em São Paulo, a festa que inaugura a folia dos ricos e famosos da sociedade paulistana. Pabllo, de fio dental vermelho brilhante, foi levada ao palco pela cantora Preta Gil, filha do ex-ministro da Cultura Gilberto Gil e parceira da drag numa faixa de seu novo álbum. Enquanto Pabllo cantava e dançava, rebolando, empinando, agachando e se esfregando no chão (sua coreografia habitual), socialites em seus vestidos de gala e homens de paletós bem cortados se apinhavam em frente ao palco, com celulares em punho, para garantir um registro compartilhável do quadril tonificado e bamboleante da drag. “Na hora em que a Pabllo sobe no palco, você vê que todo mundo, mais do que dançar, quer levantar o celular para poder filmá-la”, diz Daniela Falcão, diretora-geral da Editora Globo Condé Nast, que edita a Vogue
Revista época  





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