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Teresina, PI
Quarta, 21
Novembro de 2018

27/06/2018 - 19h08min

Manuela D´Ávila: “Se a minha candidatura é óbice à união das esquerdas, eu a retiro”

A deputada estadual pelo PCdoB do Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila, de 36 anos, é a mais jovem candidata à presidência da República. Mas essa sempre foi uma constante em sua vida. Começou a militar politicamente no movimento estudantil ainda aos 16 anos e, de lá para cá, não parou mais. Filiou-se ao PCdoB com 21 anos e logo aos 23 se elegeu como a mais nova vereadora da história de Porto Alegre. Ainda disputou a prefeitura da capital por duas vezes (em 2008 e 2012). Em 2012, já eleita deputada federal, chegou a ficar à frente nas pesquisas, mas em setembro foi ultrapassada por José Fortunati (MDB), que se elegeu ainda no primeiro turno. Por isso, já calejada por tropeços eleitorais do passado, ela não teme uma eventual falta de competitividade de sua candidatura, que patina e tende a não alçar vôos mais altos. O importante para ela é a defesa de suas bandeiras. “Precisamos transformar essa eleição num debate de alternativas para superar a crise”, disse em entrevista à ISTOÉ. Para demonstrar seu desapego, Manuela até admite abrir mão da corrida ao Planalto. “Se a minha candidatura é óbice à união das esquerdas, eu a retiro”, afirma. Desde, no entanto, que a saída de cena resolva o problema de unidade de seu campo político. “Nos retirando, apresentamos uma solução para a unidade da esquerda brasileira?”, voltou a indagar.

Enquanto segue no páreo, sem receio de ir até o fim, mesmo que lhe custe uma eleição praticamente certa ao governo do Rio Grande do Sul, seu estado, Manuela desfia suas ideias. A candidata do PCdoB promete, caso seja eleita, taxar as grandes fortunas e heranças. Outra proposta recheada de polêmica é a cobrança de impostos sobre a venda de drogas, como a maconha, cuja arrecadação seria aplicada nas comunidades que sofrem, segundo ela, com a guerra do tráfico.

Qual a sua opinião sobre a Lei da Ficha Limpa? Em que momento a lei deve começar a valer?

Mas essa questão já não está colocada, que é a partir de uma condenação em segunda instância? Temos que debater no Brasil se as decisões valem em segunda instância ou ao término de todas instâncias. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal adotou um entendimento para outro conjunto de questões. Então acho que é a hora de a gente debater do ponto de vista da legislação mesmo. Como deputada, votei pela Ficha Limpa.

Seu partido historicamente sempre apoiou o PT. Por que nesta eleição deixou de apoiá-lo?

Não é que vamos deixar de apoiar o PT porque eu sou candidata, mas sim pelas razões pelas quais sou candidata. Nós acreditamos numa candidatura do PCdoB e fizemos esse debate no ano passado. Portanto, antes da prisão do Lula. Acreditamos que a crise econômica e o impeachment sem crime de responsabilidade abrem um novo ciclo para o Brasil e que nós precisamos transformar essa eleição em um debate de alternativas para superar a crise.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que a senhora poderia desistir da candidatura para apoiar Ciro Gomes e que a senhora concorreria ao governo do Rio Grande do Sul. Isso é possível?

A minha candidatura não é óbice para a unidade da esquerda. Se eu retirar minha candidatura hoje, o campo progressista, desenvolvimentista, estará unido? Os outros três candidatos teriam essa disposição? Eu teria. Se a minha candidatura é o óbice para a união da esquerda, então não há mais óbice. A virtual retirada da minha candidatura não resolveria o problema da unidade de um campo político. Nos retirando, apresentamos uma solução para a unidade da esquerda brasileira? Não. Hoje, vocês me verão como candidata à Presidência. Jamais descartarei o Rio Grande do Sul, que é o estado que me fez deputada e vereadora. O fato é que, mesmo muito bem posicionada nas pesquisas para o governo do Estado, houve interpretação do meu partido de que o debate para saídas da crise nacional tem impacto na situação dos estados.

Quase metade do eleitorado declara voto branco ou nulo. Como reverter o descrédito da população na classe política?

É um dos grandes debates dessa eleição. Eu, aos 16 anos, tomei a decisão de me filiar a um partido político para transformar a realidade do nosso país. Percebi que não havia outra saída para o País a não ser transformar a nossa realidade. E essa saída seria através da minha participação política. Sou a prova de que é possível fazer uma política que transforma.

Quais reformas são as mais importantes?

Será o conjunto de reformas que eu defendo e que recomponham a capacidade de investimento público a partir de uma reforma tributária, que taxe os multimilionários, que cobre impostos sobre fortunas ou heranças, ou será a partir hipoteticamente da reforma da Previdência do Temer? Como seria o Brasil governado por mim? O Brasil buscaria construir um caminho próprio, seria livre para se desenvolver enquanto nação. Serei uma presidenta obcecada em combater a desigualdade.

Em que ponto a esquerda erra ao não tentar combater o discurso que permite a ascensão da direita?

O tema da intervenção militar decorre da ausência de legitimidade e autoridade do governo Temer. Diante de um quadro de insegurança geral, de 25 milhões de desempregados ou sub-ocupados, tu quer uma autoridade. Espero que todos os democratas pensem nisso, porque o oportunismo eleitoral da direita brasileira fez com que muitos flertassem com soluções autoritárias, como se liberais brasileiros tivessem sido picados por uma espécie de mosquinha do fascismo. Isso já nos custou mais de 20 anos de ditadura militar.

Qual a sua posição sobre a privatização da Petrobras?

Absolutamente contra. Privatizar não é um tema moral, e às vezes é tratado como se a esquerda não pode privatizar nada e a direita privatiza tudo. Acredito que a Petrobras tem um papel central no desenvolvimento nacional. Sou contra também a privatização da Eletrobrás.

E a reforma da Previdência?

Tenho acesso a dois números, do governo e da CPI, que são diferentes. É preciso debater a Previdência, mas precisamos saber exatamente qual a situação. Quando falamos de idade mínima, a gente se inspira em outros países em que os trabalhadores vivem de forma muito diferente que no Brasil. Temos que discutir quais os privilégios que precisam ser enfrentados.





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