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Teresina, PI
Terça, 20
Novembro de 2018

11/07/2018 - 11h00min

Ensinar às meninas que elas têm direitos é 'crucial', diz Malala

 Na semana em que completa 21 anos, Malala Yousafzai, ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz, conta, em entrevista exclusiva ao G1, que decidiu passar a data ao lado de jovens brasileiras ativistas dos direitos da população indígena e negra.

A comemoração acontecerá nesta quinta-feira (12) no Rio de Janeiro, diz ela, e a população não-branca do Brasil entrou no seu foco principal por ser justamente a que mais sofre com a falta de acesso à educação.

 

“Vemos que só 30% das crianças afro-brasileiras terminam a escola. As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio. E o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário”, afirma ela.

 

A conversa, que durou 15 minutos, ocorreu no pátio de um hotel no Centro Histórico de Salvador, depois de um almoço regado a guaranáe de ouvir a música “Parabéns a você” no batuque do Olodum.

 
 
 
 
 

Malala visita Centro Histórico de Salvador

Nesta terça, Malala anunciou que vai investir US$ 700 mil no trabalho realizado por três ativistas brasileiras, da Bahia, de Pernambuco e de São Paulo. Mas afirmou que ajudar na inclusão das 1,5 milhão de meninas do Brasil que atualmente estão fora da escola é só um passo em seu objetivo final: fazer isso com todas as 130 milhões de meninas nessa situação em todo o mundo.

 

Para cumprir a meta, ela afirma defender esforços em todas as áreas, inclusive a política, com leis que ajudem na evolução da igualdade de gênero. Para a jovem paquistanesa, oferecer informações a meninas sobre sua saúde sexual e sua educação sexual é "crucial", principalmente considerando as meninas que são vítimas de assédio.

 

“Esse ensino só as lembra [as meninas] de que elas têm direitos independentemente de sua origem, ou de seu gênero. Acho que isso é crucial, e se isso for proibido, vai ser um grande desafio para atingir nosso objetivo de igualdade.”

 

 
Malala Yousafzai dá entrevista em Salvador (Foto: Egi Santana/G1) Malala Yousafzai dá entrevista em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)

Malala Yousafzai dá entrevista em Salvador (Foto: Egi Santana/G1)

Malala se tornou conhecida no mundo todo em 2012, após ser baleada na cabeça por radicais do Talibã ao sair da escola. Ela seguia em um ônibus escolar e seu crime foi se destacar entre as mulheres e lutar pela educação das meninas e adolescentes no Paquistão. Os talibãs são contrários à educação das mulheres.

Veja abaixo a entrevista de Malala ao G1:

Por que você batizou sua rede com o nome Gulmakai (iniciativa do Fundo Malala que patrocina homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de meninas em vários países), que vem de um período em que você já era uma ativista, mas era anônima para o mundo?

Passei por um período muito difícil, assim como muitas outras meninas na nossa região, o Vale do Swat no Paquistão, quando a educação de meninas era completamente banida, então as meninas não podiam ir para a escola e não podiam alcançar seus sonhos. E naquela época achei que precisava levantar minha voz, então comecei a escrever em um blog para a BBC sob o pseudônimo Gulmakai. Esse nome significa centáurea-azul (uma espécie de flor) na nossa língua, mas ele tem um significado maior para mim, que é levantar a voz, que é o ativismo.

É assim que as pessoas locais lutam por suas comunidades. E a partir dessa perspectiva eu consegui ver isso globalmente também, porque já fiz tantas viagens, para a Nigéria, para regiões com refugiados sírios, e agora estou no Brasil, e vejo que existe um grande número de pessoas que estão trabalhando em suas comunidades e que apoiam suas comunidades, especialmente focando na melhoria das sociedades.

Por que você começou a expansão da rede na América Latina especificamente pelo Brasil? Existem semelhanças entre o Brasil e os outros países que já estão na rede?

O meu objetivo é ver na escola todas as 130 milhões de meninas que estão fora da escola agora. E por isso quero ter certeza de que vamos atingir todas as regiões globalmente. E no Brasil são 1,5 milhão de meninas, e vemos que a porcentagem é mais alta quando se trata de comunidades indígenas, comunidades afro-brasileiras. Só 30% das crianças afro-brasileiras terminam a escola. As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio.

E o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário. É por isso que estamos no Brasil, no Nordeste, e focando nas comunidades indígenas e nas meninas afro-brasileiras, garantindo que elas também tenham oportunidades iguais às de quaisquer outras meninas para ter acesso à mesma educação.

G1: As três ativistas selecionadas promovem atividades muito diversas. Existe alguma característica que todas elas têm, e que você está buscando?

Conheci todas as três selecionadas. Estou muito animada para apoiar nossas novas defensoras e são US$ 700 mil investidos no Brasil, em educação. E todas as três são incríveis, só de olhar o histórico de trabalho e o que elas já fizeram até aqui, o ativismo é inspirador para mim e para todas as outras pessoas da equipe. E eu as defendo, as apoio e acho que uma coisa que elas têm em comum é a resiliência. Elas não vão desistir.





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