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Teresina, PI
Terça, 18
Dezembro de 2018

21/07/2018 - 16h16min

Racha na banca de Lula

No célebre filme “O Advogado do Diabo”, o ator Al Pacino conclui a cena final com a proverbial e arrebatadora frase: “A vaidade, definitivamente, é o meu pecado preferido”. Na última semana, a banca que faz a defesa do ex-presidente Lula, preso há três meses em Curitiba, deu mostras da força do pecado da vaidade, especialmente entre os advogados. A tropa de elite montada para tirar Lula da cadeia e encontrar um improvável meio de conseguir que ele dispute a eleição, mesmo barrado pela Ficha Limpa, começou a trocar tiros. Publicamente. O resultado foi a possível deserção do mais experiente do grupo, o renomado advogado José Paulo Sepúlveda Pertence, ex-presidente do STF, 80 anos, às turras com Cristiano Zanin Martins, de 42 anos. Apesar de terem sido contratados para atuarem juntos, os criminalistas Zanin e Pertence não falam a mesma língua. Eles só combinam numa coisa: parecem dar mais importância à projeção que o caso pode render.

Pertence foi advogado de um Lula ainda operário e sindicalista no ABC. Zanin representou o petista já refestelado no poder. No início, Lula o rejeitava. Achava o dono de ternos Ricardo Almeida bem cortados “engomadinho demais”. Com o tempo, acostumou-se ao estilo do genro de seu mais dileto amigo, o também advogado Roberto Teixeira. Quando seu caso caiu no STF, Lula trouxe de volta para seu convívio Pertence, imaginando que o experiente advogado pudesse inspirar respeito entre os ministros. Foi quando o contraste do perfil entre os dois advogados reluziu como ouro.

O episódio mais eloquente da já estremecida relação ocorreu em meio ao pedido de Sepúlveda Pertence à Segunda Turma do STF para analisar a comutação de modalidade de prisão do réu para domiciliar. Para surpresa de Pertence, Cristiano Zanin praticamente o desautorizou publicamente. O criminalista divulgou a informação de que a “defesa não apresentou ao STF ou a qualquer outro Tribunal pedido de prisão domiciliar”. A atitude foi o estopim da crise, a ponto de o ex-ministro pedir para deixar o caso – situação que ainda está sendo negociada. O troco veio pelas redes sociais, protagonizado pelo filho de Pertence, Eduardo. “Não precisamos de vocês para ter qualquer tipo de protagonismo! Meu pai é, e sempre será, maior que vocês”, escreveu ele num grupo de rede social. Zanin não engoliu as críticas e partiu para o contra-ataque pelo WhatsApp. “Tivemos que aturar o chamado ‘fogo amigo’, com sugestões de pautas marotas de pessoas que à luz do sol juram amor a Lula e à sua liberdade, mas que nas sombras estão dispostas a qualquer coisa”. A mensagem, distribuída a um grupo de advogados, levou Pertence às cordas.

As arestas entre as duas bancas são a parte mais explícita do desespero que tomou conta da defesa de Lula. Na ânsia por libertá-lo apesar da falta de reais argumentos jurídicos para tanto, as pedaladas dos causídicos vão deixando feridos pelo caminho. Como se já não fosse conflito o bastante, o PT agora administra outra tribo de insurretos. Desta vez, o grupo de defensores que atuam na esfera eleitoral. O ex-ministro Eugênio Aragão e o consultor Luiz Fernando Pereira estão em rota de colisão. Pelo visto, se as paredes da sala de 15 metros e a vigilância permanente de um policial que o separam do mundo real e da campanha à Presidência têm incomodado Lula, bem pior parece ser administrar o pecado que, segundo Al Pacino, é o preferido do diabo.
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