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Teresina, PI
Sábado, 20
Abril de 2019

13/04/2019 - 13h53min

Para onde vai a educação

Depois de cem dias perdidos sob o comando do téologo Ricardo Vélez Rodrigues, o Ministério da Educação (MEC) ganhou na terça-feira 9 um novo fôlego. Os sinais, no entanto, ainda são nebulosos. O novo ministro, o economista Abraham Weintraub, promete acabar com a letargia na pasta. Em tese, ele chega para fazer o serviço que Vélez não conseguiu realizar e colocar a máquina para funcionar. Seria, de fato, um avanço. O caminho que o ministro recém-empossado parece adotar, porém, produz uma sensação de filme repetido. Mais uma vez, as prioridades envolvem o aparelhamento do MEC para combater a cantilena do marxismo cultural, uma teoria conspiratória segundo a qual a esquerda dissemina suas ideias de modo indireto para enfraquecer as instituições conservadoras. No fundo, o que ainda está em jogo é a promoção de um ideário de direita com mudanças no conteúdo do material escolar e o aumento do controle sobre os professores. A se manter essa toada, a educação no Brasil permanecerá numa trilha perigosa em que o confronto ideológico para eliminar o pensamento de esquerda nas escolas tende a prevalecer sobre as necessidades reais de desenvolvimento educacional.


IDEOLOGIA O ministro Abraham Weintraub alega que há doutrinação nas escolas
Jovens apolíticos?

Por exemplo, ao mesmo tempo em que quer que Weintraub entregue resultados e cuide da gestão do MEC, que hoje convive com atrasos no cronograma, o presidente Jair Bolsonaro determina que ele centre fogo na despolitização das escolas. Na posse do ministro, o mandatário deu o tom. Declarou, para o espanto de muitos, que não quer que as novas gerações se interessem por política. “Queremos uma garotada que comece a não se interessar por política, como é atualmente dentro das escolas, mas comece a aprender coisas que possam levá-la ao espaço no futuro”, disse. Weintraub foi na mesma linha: “Uma pessoa que sabe ler e escrever não vota no PT”. Ou seja, se ainda pairam dúvidas sobre a capacidade administrativa do novo titular da pasta, sobram certezas de que o viés doutrinário dificilmente será abandonado.

Na visão do governo, a educação está tomada por esquerdistas que querem catequizar crianças e jovens. E esse seria o principal fator a minar a melhoria do ensino no Brasil. O grande propagador dessa teoria é o filósofo Olavo de Carvalho, cuja influência sobre o MEC deve continuar. Assim como Vélez, Weintraub, professor de direito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também é seguidor do filósofo. “O ministro não me deve nada e não tem nenhum compromisso comigo. Ele apenas conhece as minhas ideias melhor do que as conhecia o seu antecessor”, afirmou Olavo.


Um sinal de que o caos administrativo combinado com a forte carga ideológica persistirá é que, no dia seguinte à posse, Weintraub substituiu os titulares de seis das sete secretarias do Ministério. O que todos os indicados têm em comum é a falta de experiência na área de educação. O secretário executivo será o e
Isto é